Sem inspiração, os passos eram contados, os sete mares eram um. Lembro-me de devanear, ter utopias, mas não havia inspiração.
Me acomodava entre a força do inevitável e o medo de nunca mais cantar, as melodias eram ácidas.
Ao me contrastar com a minha realidade desceu-me as lágrimas que queimaram as palavras que me vestiam, arrancou-me as sandálias, me fizeram sentir o chão que não mais me pertencia.
Outrora estava lúcido, agora não mais, andava nu de nenhuma contrarrazão, com medo das pedras, com o só da solidão.
Nuvens eram brancas, pretas, azuis, coelhos, cavalos e dragões, hoje são apenas nuvens, chuva e mar.
Olhava para os lados a inspiração fugia, eu tentava em um grupo de pernas alcança-la, ela me pertencia, mas fugia junto com minha lucidez.
Já procurei em vários verbos encontra-la, em cada esquina, em cada olhar e em cada multidão.
Já cansado de devanear a volta de minha inspiração, me dei conta de que ela estava comigo, pertencente ao meu medo de perde-la, no subconjunto de ideias, de fantasias, de sentimentos, encontrei-a e com todo o poema que há em unhas e dedos a escrevi, como uma morte desfalecida de uma força inconsciente.



