Ela sorria, mas nada parecia estar bem. Estranha sensação era estar ao seu lado, podia ver o pulso pelas suas mãos tremulas.
Ele não era nenhum entre aqueles que representavam extrema importância em um salão, não conseguia sorrir, era medo em extremo consumo, voz em repleto silêncio e guerra em meio a guerra.
Ela sempre tomava decisões sem olhar os argumentos e sabia que aquele sapato sempre apertava o pé, mas insistia em calçar.
Ele ainda achava que aquele era o mais bonito que ela tinha em sua estante.
Olhavam ao redor no imenso salão e lembravam-se do trabalho que foi arrumar as crianças, não as deles, eles não tinham ainda. A família dela estava toda hospedada em sua casa, ele estava quase sem cabelos de preocupação, já quase pedindo que todos fossem embora.
De repente olhavam as luminárias no salão e lembravam daquele tímido encontro em que ele sem ter nenhum tostão a chamou para tomar uma tubaína, lembravam que ela pagou.
Ela sorria sem receios, parecia não pensar nos argumentos para sorrir e ele corria atrás das crianças no salão, já estava meio calvo de preocupação.
O sonho dela era ir à praia nas férias, mas isso seria impossível com suas economias e por isso tentava fazer com que fosse o sonho dele.
Ele sonhava em ter novos jogos e economizava para isso, ela sabia que ele havia até emagrecido em sua economia.
Ao som da orquestra, ela estava menos trêmula e mais segura e ele estava mais careca do que nunca. Os dois observavam as mesas e lembravam que ele não tinha coragem de namorá-la, era tímido e não conseguia ficar longe dela, mas ela chamou-o e pediu um beijo, doce e estranho, as mãos corriam e ela batia em sua mão e arrastava, assim lembravam o começo.
Ele caminhava em meio ao salão, cumprimentava as pessoas e ela sentada observava onde isso ia dar, logo se lembrou do medo que ele tinha de viajar e não vê-la mais e gastava sempre suas economias para levá-la junto, era férias em semana de trabalho.
Ele sentou ao seu lado e acariciando sua mão pediu que ela arrumasse tudo e perguntou qual a distancia até a costa mais próxima, ela sorria e agora com mais intensidade por causa dos argumentos.
Os dois colecionavam lembranças e sempre que estavam em um salão, casa, avenida ou em qualquer lugar, novas memórias vinham à tona para uni-los e sempre terem mais para recordar.
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