quarta-feira, 29 de junho de 2011

Regiane


    Seus cabelos negros são como um rio sombrio que escorre em minhas mãos, seu andar é macio e encobre nosso amar, sua voz é canto e configura esse amar.
    Seu olhar me desafia, eu aceito, e me aprofundo nessa ventura, seus beijos me entorpecem, me expulsam de mim, me integram à ti. Às vezes lembro do dia em que o cometa se desfez em nossas faces, você estava linda, e como sempre me desintegrou.
    Seu jeito manhoso, rígido, sem falhas, sem mandamentos, sem descrições, sem complexidade, sem flores, sem seca, sem rios, sem desertos, sem singelos, sem fragmentos, me fez descobrir quem é você que quase sempre me surpreende com a nova versão de quem és.
    Aquele jardim ainda me chama, foi lá que tudo começou, seus abraços com medo, meu olhar confuso, nosso beijo embaralhado, nossa valsa de amor, nosso medo do horário e seu jeito indefinido, que sempre me levava a querer te descrever.
    Meu sonhar é junto de ti, sabes bem, que todos os meus versos só tem sentido quando é para ti, que meu escudo são teus braços, meu castelo é nosso amor e minha vida é teu ar. Quantas vezes já me despi da razão para dar lugar ao teu pensar, quantas vezes já chovi em travesseiros para não te perder, quantas, quantas vezes não importa, sei que a maior valia é você ao meu lado, me desconstruindo e me refazendo.    
    Saiba que agora tudo o que está escrito não terá sentido após o aperto dos seus abraços, do calor do seus olhos, e da graça do seus beijos.

De mim que sou amor, para ti: minha eterna amada.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Reprise


    Vejo a imagem de um reprise, você está lá, e eu longe. Poucos momentos marcaram aqueles dias, pensei ser "o cara" e você não olhava para mim. 
    Barracas montadas, frio, cobertas, fogueira, histórias de terror e ele do seu lado, aquilo me apunhalava, eu sorria como se ele fosse meu melhor amigo, você também sorria e isso me fazia esquecer de tudo. Noite estrelada, brisa fria, vozes e violão, eu ainda te olho, você canta, ele te abraça, aqueles momentos pareciam intermináveis, mas, nunca pensei em desistir de você. 
    Foi-se as canções e a noite juntamente com a fogueira, o único fogo que ainda esquentava meu corpo era pensar em você, que distante me olhava. Naquele mesmo dia encontramos um rio, entramos todos, nos banhamos, e saímos, você se embrulhou em minha toalha, e eu a deixei, você estava sozinha, mas, eu não sabia o porque, então, você me chamou, naquele momento senti meu coração bater como um terremoto dentro de mim, você me olhou e disse: 
    "Não entendo como pode o amor se acabar!" Seu namorado fugira, eu não sabia, fiquei sem reação para responder, apenas olhei nos teus olhos, e aquilo foi o bastante para que você entendesse o que eu responderia, mas, insisti em palavras e disse: 
    "Talvez, o amor não o seja, ninguém se torna dono desse sentimento, como saber que ama, ou que não ama?" Você olhou para mim, sorriu, e me deu atenção, naquele momento todas as confusões poéticas escritas começavam a fazer sentido, o amor em que emanava do meu coração começava a ter valor, e minha persistência em ti querer se tornava resultado. 
    Peguei em tuas mãos e dei um beijo macio, sem malícia, você não entendeu, eu te disse: 
    "O amor que sinto não se finda ao longo dessa pequena palavra, se transforma em meus versos e ganham sentido nos seus olhos." Você me olhou confusa e disse: 
   "Se me ama em versos, porque só hoje tem poetizado minha vida?" E eu perdido em minhas palavras respondi : 
    "Não sabia se meus versos teriam valor perto de todo esse sentimento." Então, sobrou-nos o silêncio, o meu e o teu, mas, os nossos olhos e o nossos corpos dançavam a canção do amor, que até hoje me faz lembrar de um acampamento, em que meus versos se fizeram carne.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Dois confusos

    
    Passos contados, caminhávamos enquanto eu desvendava seu olhar, você segurava-me a mão e eu pensava: será que me ama? 
    A neblina cobria o céu, antes estava azul, agora derrama suas lágrimas. Corremos, parecíamos dois meninos a brincar na chuva, você não soltava minha mão, eu insistia em reflexionar essa incompreensão amorosa. Nos abrigamos em baixo de uma árvore, o cheiro da terra molhada marcava o momento, sua mão fria segurava a minha, seus olhos negros olhavam os meus, eu não a entendia, mas você insistia em falar de novelas, religião, música, eu não queria ouvir essas palavras, você não sabia o que eu queria.
    Passamos ali um longo momento e você apertava  minha mão mais forte a cada segundo, mas, eu não entendia o porque. No momento em que a chuva gritava e ressoava sua fúria, você temeu, me abraçou e perguntou: me protege? 
    Levei então minhas mãos pesadas de tanto questionar a um abraço que acolhia o segredo que habitava em meu coração, meus lábios se tocavam, mas, som fonético não existia.
    Ao olhar para mim você disse: porque bate forte o teu coração? 
    Minhas palavras doentes desse vírus interminável responderam: Bate rápido porque sente a presença de alguém que ama, parará de bater se essa partir. 
    Foram longos anos, queria dizer isso, mas, nossa amizade era maior, ou será que não? 
Então ela olhou nos meus olhos e disse: Sabia desse seu sentimento em todos os nossos anos de amizade, mas, o amor nos confunde e o maior medo que eu tinha era de te perder, pois, sentia o mesmo.
    Então me deu um abraço forte, um beijo e disse: Quero ter sempre você, amigo! 
    Essas palavras não me derrubaram, por incrível que pareça, me fortaleceram, e eu disse: Nos vemos amanhã? 
    E assim consolidou-se nossa amizade que durará ao som de longas e insondáveis palavras de amor.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Mãos dela




    Ele se pendura, os dedos escorregam e o suor desce o rosto amargando o gosto da sede, o sol aquece a dor, mas, o frio é incessante. 
    Usa toda a força e não sabe se aguentará mais, apenas uma barra de ferro e um muro de concreto o separa dessa vida, suas mãos agarram com força a barra como se fosse a última oportunidade. 
    Cada suspiro parece ser o último, mas, o coração grita a vida, os pés pulam as dores, o corpo samba a esperança. 
    De repente mãos sem maculas agarram as dele, que apertam, puxam, salvam, não sabia quem puxava-o, pois o medo o deixara cego. As tais mãos trazia-o que beber, e o gosto já não era amargo, o sol queimava, e o frio? 
    Quando tornou-se lúcido novamente, pode ver o rosto em que emprestava as mãos, era  o rosto de sua amada, mas, o medo era tão grande que não reconhecia o toque, vendo-a e não suportando os sentimentos deu a ela um abraço e uma nova história, dele que já no fim voltou, com a força dessa palavra que tudo reconstitui.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Armadura


    Derrubaram meu castelo, minhas tropas partiram juntamente com o meu coração. 
    Meu palácio foi ao chão, assim como minhas palavras, roubaram o que era meu, me tiraram o sorriso, as muralhas que cercavam as torres da alma caíram, furtaram o meu amor.
    Desprezo, isto me fizeram. 
    Bateram em meu rosto, tiraram me a armadura, jogaram-me com o rosto em pó. Força, onde à encontrarei? 
    Estou me arrastando a procura de um ombro, não o qual me traiu e me entregou aos meus inimigos, nesse não me apoiarei mais. Já encontrei novas forças em meio a dor. 
    Na tristeza ergui um novo castelo, com uma nova torre, agora mais forte e mais frágil. 
    Minhas palavras se recompõem, assim como meu amor, em tropas não mais confiarei, revesti-me de uma nova armadura, com uma nova espada, com um novo escudo. 
    Meu sorrir volta, mesmo que as vezes torto, mas na face do traído volta a esperança de um dia reerguer um novo Palácio.

Das forças renovadas.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Calafrios


Amor,
em que ilusão estamos? 
    Os dias estão passando e apesar dessa fogueira, ainda sinto calafrios. O calor do meu corpo não é o mesmo, onde está? 
    A sintonia do rádio mudou, as paredes do meu quarto estão verde, mas, a esperança acaba. 
    Quando irá voltar? Espero ansioso sua volta, mesmo sabendo que se foi. Sabe o coração, ele está batendo com menos pulso, as vezes ele para procurando o batido do seu. Será que você volta? Ou será que não me ama mais? 
    Amor, já faz tempo que está longe, até demais. 
    Às vezes pergunto-me amada minha, ainda fará sentido meus versos? Você não os ouve mais, agora sei que as ilusões são somente minhas. 
    As fotos se foram com a tua presença, o calor se apagou, a sintonia do rádio parou, as paredes estão escuras. 
    Amor, se ler o que escrevo, volte, não deixe que o fogo consuma o papel, consumindo o que restou de nós. 
Das confusões de um amor platônico.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Paradoxais



    Para ela, mesmo que não se achegue.

    As vezes te encontro, e sinto algo que não sinto comigo. Sei que este sentimento transparece em minhas lágrimas, que de serem tão minhas não me pertencem mais. 
    De tudo que me roubaram me restou sua voz, que entra em meu consciente e me refaz inteiro.
    Lembra dos fracos? Eles estão mais fortes agora, sei que você esteve entre eles, mas de que importa isso. 
    Eu disse que éramos perfeitos, mesmo cheios de defeitos e ainda somos. O amor nos faz paradoxais porque nós dois somos iguais. 
    Antes que partisse pedi que me abraçasse, me fazendo sentir teu e me fazendo sentir meu. Talvez isso fosse suficiente para que possássemos recomeçar esses nossos dias. 
    Estou fraco, porque você não está comigo, não me deixe aqui, antes que acabe tudo, me abrace.