Seus cabelos negros são como um rio sombrio que escorre em minhas mãos, seu andar é macio e encobre nosso amar, sua voz é canto e configura esse amar.
Seu olhar me desafia, eu aceito, e me aprofundo nessa ventura, seus beijos me entorpecem, me expulsam de mim, me integram à ti. Às vezes lembro do dia em que o cometa se desfez em nossas faces, você estava linda, e como sempre me desintegrou.
Seu jeito manhoso, rígido, sem falhas, sem mandamentos, sem descrições, sem complexidade, sem flores, sem seca, sem rios, sem desertos, sem singelos, sem fragmentos, me fez descobrir quem é você que quase sempre me surpreende com a nova versão de quem és.
Aquele jardim ainda me chama, foi lá que tudo começou, seus abraços com medo, meu olhar confuso, nosso beijo embaralhado, nossa valsa de amor, nosso medo do horário e seu jeito indefinido, que sempre me levava a querer te descrever.
Meu sonhar é junto de ti, sabes bem, que todos os meus versos só tem sentido quando é para ti, que meu escudo são teus braços, meu castelo é nosso amor e minha vida é teu ar. Quantas vezes já me despi da razão para dar lugar ao teu pensar, quantas vezes já chovi em travesseiros para não te perder, quantas, quantas vezes não importa, sei que a maior valia é você ao meu lado, me desconstruindo e me refazendo.
Saiba que agora tudo o que está escrito não terá sentido após o aperto dos seus abraços, do calor do seus olhos, e da graça do seus beijos.
De mim que sou amor, para ti: minha eterna amada.
.png)