Passos contados, caminhávamos enquanto eu desvendava seu olhar, você segurava-me a mão e eu pensava: será que me ama?
A neblina cobria o céu, antes estava azul, agora derrama suas lágrimas. Corremos, parecíamos dois meninos a brincar na chuva, você não soltava minha mão, eu insistia em reflexionar essa incompreensão amorosa. Nos abrigamos em baixo de uma árvore, o cheiro da terra molhada marcava o momento, sua mão fria segurava a minha, seus olhos negros olhavam os meus, eu não a entendia, mas você insistia em falar de novelas, religião, música, eu não queria ouvir essas palavras, você não sabia o que eu queria.
Passamos ali um longo momento e você apertava minha mão mais forte a cada segundo, mas, eu não entendia o porque. No momento em que a chuva gritava e ressoava sua fúria, você temeu, me abraçou e perguntou: me protege?
Levei então minhas mãos pesadas de tanto questionar a um abraço que acolhia o segredo que habitava em meu coração, meus lábios se tocavam, mas, som fonético não existia.
Ao olhar para mim você disse: porque bate forte o teu coração?
Minhas palavras doentes desse vírus interminável responderam: Bate rápido porque sente a presença de alguém que ama, parará de bater se essa partir.
Foram longos anos, queria dizer isso, mas, nossa amizade era maior, ou será que não?
Então ela olhou nos meus olhos e disse: Sabia desse seu sentimento em todos os nossos anos de amizade, mas, o amor nos confunde e o maior medo que eu tinha era de te perder, pois, sentia o mesmo.
Então me deu um abraço forte, um beijo e disse: Quero ter sempre você, amigo!
Essas palavras não me derrubaram, por incrível que pareça, me fortaleceram, e eu disse: Nos vemos amanhã?
E assim consolidou-se nossa amizade que durará ao som de longas e insondáveis palavras de amor.
