
Vejo a imagem de um reprise, você está lá, e eu longe. Poucos momentos marcaram aqueles dias, pensei ser "o cara" e você não olhava para mim.
Barracas montadas, frio, cobertas, fogueira, histórias de terror e ele do seu lado, aquilo me apunhalava, eu sorria como se ele fosse meu melhor amigo, você também sorria e isso me fazia esquecer de tudo. Noite estrelada, brisa fria, vozes e violão, eu ainda te olho, você canta, ele te abraça, aqueles momentos pareciam intermináveis, mas, nunca pensei em desistir de você.
Foi-se as canções e a noite juntamente com a fogueira, o único fogo que ainda esquentava meu corpo era pensar em você, que distante me olhava. Naquele mesmo dia encontramos um rio, entramos todos, nos banhamos, e saímos, você se embrulhou em minha toalha, e eu a deixei, você estava sozinha, mas, eu não sabia o porque, então, você me chamou, naquele momento senti meu coração bater como um terremoto dentro de mim, você me olhou e disse:
"Não entendo como pode o amor se acabar!" Seu namorado fugira, eu não sabia, fiquei sem reação para responder, apenas olhei nos teus olhos, e aquilo foi o bastante para que você entendesse o que eu responderia, mas, insisti em palavras e disse:
"Talvez, o amor não o seja, ninguém se torna dono desse sentimento, como saber que ama, ou que não ama?" Você olhou para mim, sorriu, e me deu atenção, naquele momento todas as confusões poéticas escritas começavam a fazer sentido, o amor em que emanava do meu coração começava a ter valor, e minha persistência em ti querer se tornava resultado.
Peguei em tuas mãos e dei um beijo macio, sem malícia, você não entendeu, eu te disse:
"O amor que sinto não se finda ao longo dessa pequena palavra, se transforma em meus versos e ganham sentido nos seus olhos." Você me olhou confusa e disse:
"Se me ama em versos, porque só hoje tem poetizado minha vida?" E eu perdido em minhas palavras respondi :
"Não sabia se meus versos teriam valor perto de todo esse sentimento." Então, sobrou-nos o silêncio, o meu e o teu, mas, os nossos olhos e o nossos corpos dançavam a canção do amor, que até hoje me faz lembrar de um acampamento, em que meus versos se fizeram carne.