domingo, 29 de maio de 2011

Caminhão de Lata


Acordei da noite encantada,
há tempos não sou mais menino,
minhas mãos estão cansadas
como o bater do velho sino.

Rodas de borracha,
estrutura de metal,
assim brincava,
nas vésperas de natal.

Mas, acordei do belo sonho,
do conto de fadas,
da noite de sono,
da guerra da espada.

Minha idade me envelhece,
a luta dos dias prolongados,
as horas de preces,
os sonhos apagados.

Foi-se o natal, todos os presentes,
as lembranças do meu caminhão,
das pessoas que hoje ausentes,
ainda movem meu coração. 

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Corda que Samba

2º lugar na 40º Edição Poemas do Bloínquês


Na corda bamba, tem um que samba, tem um que canta, outro encanta.
Na corda bamba, tem diferentes, tem muitas lentes, variadas mentes.

Na corda bamba, tem varias cores, muitos sabores, muitos amores.
Na corda bamba, tudo tem valor, da mínima musica do pobre cantor.

Na corda bamba, se tem respeito, tem admiração, tem desrespeito.
Na corda bamba, faça o que for, seja autêntico, sem perder o valor.

Na corda bamba, há muitas cordas e muitos acordes.
Na corda bamba, escreva uma canção que nos acorde,
para sabermos que na corda bamba, tudo tem valor.

A Janela


Janela, rosto dela, sorri. 
Casa, castelo real, fugi.
Estrada longa, pequena parcela
para se achar a janela.

Belezas exteriores, encontrei.
rostos e cores, achei.
lutas de espada, enfrentei,
mas em frente a janela, não cheguei.

Corri, pernas, cavalos.
Voei, corpo e braços.
avistei, casas e bosques,
estou longe da janela, distante dos seus toques.

Com sorriso, alma, espírito,
procuro incessantemente,
o rosto que em baixo da janela.
sorri, dominando minha mente.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Tom do Amor


Papel, Papel, conte-me seus sofrimentos,
e o que está escrito sobre seus sentimentos,
Papel, Papel, faça-me esquecer sua cor,
e mergulhar nos tons do seu amor,

Papel, Papel, fala-me de momentos amorosos
do lápis, a caneta e o esboço
da régua, dos versos e do poema
inodoros ou com perfume de alfazema

Papel, Papel, vamos fugir do padrão,
seguir as linhas do coração,
despertar velhas paixões,
e escrever lindas canções.

Papel, Papel, vamos ser você e eu,
como a terra e o céu,
serei seu e você será minha,
uma escrita sem fim em uma infinita linha

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Voz Dizente

Ouço a voz, ela me chama baixinho, como um sussurro.
Já há algum tempo sou surdo, mas, a voz persistente, me chama, agora em tom suave.
 Pensava estar fora de si e a voz me chamava, mais forte agora, minha surdez desaparecia.
A voz agora grita e seu grito escorre entre as curvas da minha orelha, dizia a voz em tom alto e romântico: Te amo.
Eu não à amava, por isso não à ouvia, mas, agora seus dizeres me entorpecia, já não estava mais sóbrio, quando a percebi eu à amava e a voz já cansada de falar calava-se.
Então pedi para estarmos juntos, eu à seus dizeres e a voz à meus prazeres.
Nossas conversas então começavam como sussurros, logo após, tom suave, então, mais forte, e depois em gritos, e neles nós vivíamos e amávamos e a paixão era dizente.


Também postado no blog: www.vinteeduasletras.blogspot.com

terça-feira, 10 de maio de 2011

Vida e Fim


    Caminho tranquilamente enquanto estou vivo, a luz em cada poste ilumina meu caminho, espero que meu dias sejam normais.
    A minha face ainda sorri, meus medos já não existem e os postes ainda iluminam meu caminho. Ando e sinto vida, espero que meus dias não mudem, vejo as flores no jardim que respiram o seu próprio perfume, admiram sua própria beleza e eu passo, vejo-as e ainda estou vivo.
    Não quero perder o que tenho, não me tire o que tenho, agora enquanto estou caindo dores atravessam meu ser, com pisadas destroem as flores que haviam em mim, me apunhalam facas e ainda estou vivo.
    Levanto e tonto vejo o jardim e as flores que choram minha dor, ainda estou vivo, não sei até quando viverei, meu corpo fraco cai e o meu eu falece. 
    Agora sou morte e não há nada que o possa mudar, as flores que haviam em mim murcharam, acabou o que era vida.

sábado, 7 de maio de 2011

Minha Confusa Madrugada



Alta madrugada, repenso o que fiz enquanto na esquina o violão canta liberdade. 
Meus conceitos são propósitos sem definições. 
Cada minuto, segundo e milésimo me fazem repensar, mas o que fiz?
O violão da esquina já não se ouve mais, meus conceitos ainda são propósitos sem definições. 
Porque fiz não quer dizer que eu tenha me superado em errar e não quer dizer que eu tenha acertado.
Já amanhece o dia, o que fiz ainda é vago, mas insisto em repensar. 
O sol escondido entre as serras que cortam a paisagem me mostra o que fiz e o que não deixarei de fazer. 
Sonhar foi o que fiz, mas peço que alguém me acorde, porque as vezes acordar de um sonho é a chance de começar um novo.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Músico


    Penso, escrevo e faço algo. 
    Entre as linhas em negrito, letras como a de um alfabeto formam frases e versos. 
    A inspiração me canta seus acordes, que são lúcidos diante do que escrevo.
    Cada frase escrita, me define, me expõe e me contradiz, hora insisto em loucura, outrora em Deus e quando sinto-me sozinho, insisto em solidão.
    A natureza me canta sua melodia natural  e começo a devanear sobre um futuro ou um passado que não é o meu.
    Escrevendo sóbrio ou louco, minha historia ou de outrem, acabo me tornando cada vez mais humano e imortal.

domingo, 1 de maio de 2011

Voz e Silêncio


    Ouvir vozes já não faz sentido. 
    Gritos e sussurros são meros acasos que apontam e denotam o que há de vir. 
    Pensava estar feliz, como se isso fosse limitado a poemas ou canções. 
    Não se tratava de um coração em cacos, mas de um coração que ao ouvir vozes em romantismo já não suspirava mais. 
    Como posso erguer então um grito se estou e permaneço em extremo silêncio, minha voz rouca e pálida me afasta de você, que por pouco tempo esteve perto de mim. 
    Não me ajude a refletir, hoje preciso de você, mas não tão junto a mim. 
    O tempo será nosso juiz, ele decidira e nós esperaremos como as folhas esperam o outono para tocar o chão e em ritmo de valsa, dançarem e serem felizes ou se afastarem e se perderem para sempre.

Esse eu dedico ao blog "O Silêncio de um grito"

Ego



    Ontem, fotos, passos e suspiros, dias que foram, nossas vidas eram como cristais. 
    O som do canto que escoava em meus ouvidos me fazia homem, menino. 
    Aquela voz, doce e suave, que trazia inspiração em meus versos, se foi. Tento acalmar meu coração, triste e cheio de amor. Sua partida em dias quentes trouxe resfriamento ao meu corpo, que dorme, esperando um novo.

    Hoje, porta retrato, ponto morto e pensamentos, dias que vem, minha vida é gás. 
    Ouvir novos cantos me traz a memória de um passado esquecido, os dias frios esquentam meu corpo.
    Manso e cuidadoso, procuro não me entregar, não ceder, mas, quando escondo-me entre as paredes do meu ego, te encontro e refaço todo esse sonho, onde cedo, tarde, ou até de madrugada preencho nosso porta retrato com as novas fotos de um novo amor.