segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Fragmentos não reais


Fechei a porta e abri os armários, 
logo a solidão se fez presente e abriu as embalagens:

Cordas acústicas da velha viola e pratos vazios,
eles de longe fazem cochichos e montam legos,
montam quebra cabeças da infinidade.

Ondas e maremotos forçam nossa sensatez.
Força do hábito e onde existe vontade de mudar?
Nunca encontrarão uma solução...

Cadáveres e festas comemoram o fim das revoluções.
Precipitar-se no amor é colocar um pé na cova 
e toda revolução torna-se antiga.

Todo amor se torna ódio, toda paz virará guerra,
mas sempre tudo será tão normal e rotineiro 

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Aquilo que se apagou

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    Está tudo escuro, até a luz que brilhava incessantemente se apagou. 
    Tropeço em algo, como posso saber, não enxergo. 
    Ouço o som do relógio que bate e segue o dos meus passos, pode-se dizer de passos escuros, nada me cerca além da escuridão, estou submerso em medo.
    Agora estou muito longe de onde vim, do ponto de partida, você me jogou nessa caverna e disse que estaria comigo, estou só e sozinho não vejo por onde ando. 
    No meu bolso tenho uma foto, queria poder ver os rostos, mas agora está tudo triste e escuro e com o medo me vem a ânsia de luz, de amor. Já cansado me encosto em algo, acho que é uma rocha, temo perder o único sentimento que tenho, a esperança.
    Levanto e meio sem forças, ando, não conseguia enxergar, ouvia um choro, alguns gritos e uma luz que se movia, cheguei próximo e vi, te enxerguei. 
    Me aproximei devagar  e ouvi seus cochichos que diziam: "Nos perdemos no inicio e não quero que esse seja o nosso fim".
    Então corri em sua direção, olhei nos teus olhos, apesar de não enxergar nada, eu já havia ouvido o que necessitava, logo você disse: Não quero te perder outra vez, os caminhos são escuros, mas a luz do nosso amor, ilumina e não há afago que possa destruí-lo". 
    Apesar de tudo estar escuro eu nunca havia sido tão feliz, não importava mais o medo, as ânsias ou as rochas, eu tinha você e isso era a luz para minha escuridão.

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Soluços



Sua fala é suave, mas temo-a. O peito macio, mas a dor dentro não é.

Furacão é brisa, força é ilusória.

Cabe dentro de um ser, mas não de um coração.

Palavras escorrendo, fonte de descaso, linhas misturadas, cortes e sangue.

Mecanismos, ações, voluntarismo; e o amor?

Passos indefinidos, o que fazer das utopias?

Cala-se, a voz é tenra, mas o medo é pesado.

Do pó do giz, um novo amor.

Dos meus medos e fracassos, a força de Deus?

Ergue um castelo, uma muralha; e o amor?

Do caos, da sede, do tornado, essa incompreensão já não faz sentido.

domingo, 24 de julho de 2011

Inspiração


    Sem inspiração, os passos eram contados, os sete mares eram um. Lembro-me de devanear, ter utopias, mas não havia inspiração. 
    Me acomodava entre a força do inevitável e o medo de nunca mais cantar, as melodias eram ácidas. 
    Ao me contrastar com a minha realidade desceu-me as lágrimas que queimaram as palavras que me vestiam, arrancou-me as sandálias, me fizeram sentir o chão que não mais me pertencia. 
    Outrora estava lúcido, agora não mais, andava nu de nenhuma contrarrazão, com medo das pedras, com o só da solidão.
    Nuvens eram brancas, pretas, azuis, coelhos, cavalos e dragões, hoje são apenas nuvens, chuva e mar.
    Olhava para os lados a inspiração fugia, eu tentava em um grupo de pernas alcança-la, ela me pertencia, mas fugia junto com minha lucidez. 
    Já procurei em vários verbos encontra-la, em cada esquina, em cada olhar e em cada multidão. 
    Já cansado de devanear a volta de minha inspiração, me dei conta de que ela estava comigo, pertencente ao meu medo de perde-la, no subconjunto de ideias, de fantasias, de sentimentos, encontrei-a e com todo o poema que há em unhas e dedos a escrevi, como uma morte desfalecida de uma força inconsciente.  

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Paixão

 

    Passou por aqui deixando sentimentos, esqueceu de um coração, triste como o superficial. 
    Levando o que via, escondeu-se entre os traços do escuro, fez moradia próximo a luz e sua veste era escuridão. 
    Dominou o nosso medo, roubou nosso sorriso, confundiu nossa mente e nos deixou ao esquecimento.
    Dolorido sentimento, que de incolor se fez vermelho, que de ouro se fez pó e invadiu o que estava cheio. 
    Construtor de ilusão, impune devaneador, que sonha junto aos erros, loucuras do amor. 
    Doce escuridão, ilusória lucidez, que sempre passa por nós e no final nos deixa à sós.

Da interpretação doentia

sábado, 9 de julho de 2011

Seu orgulho



    Se desfaz desse orgulho, encosta em meu peito. 
    Se desfaz desse orgulho, diz que me ama. 
    Recolhe os cacos do amor e larga esse orgulho, me puxa, me poetize, me comova. 
    Os espaços estão vazios, as noites não são tão românticas, você se ausentou de si. 
    Volte a ser o que era amor, te espero com um peito frio. 
    Menina seus olhos escureceram, seu andar está frio, mas você é a mesma. 
    Amor larga desse orgulho, quero sentir seus suspiros me arrepiando, sua fala me tirando da sobriedade e seu coração pulsando com meu. 
    Amor volte de onde partiu, traz na bagagem o amor, larga desse orgulho e vem ter um coração que espera no frio de um peito vazio.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Coração de metal


Fios de uma máquina,
laços de cetim,
forças carregadas,
coração de metal.

Vento ao rosto,
dos olhos de vidro,
da maquina sentimental,
com coração de papel.

Destino programado,
serviçal do acaso,
entre a ponte do amor,
de outra máquina ao seu lado.

Do medo instalado,
da mídia riscada,
em coração enlatado,
nascendo nova alma.

Alma artificial,
com comandos em controle,
com alicate em mãos,
cortando fios das dores.

Pedaço de lata em liberdade,
construindo um coração,
que ainda sendo de metal,
reprograma os sentimentos.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Regiane


    Seus cabelos negros são como um rio sombrio que escorre em minhas mãos, seu andar é macio e encobre nosso amar, sua voz é canto e configura esse amar.
    Seu olhar me desafia, eu aceito, e me aprofundo nessa ventura, seus beijos me entorpecem, me expulsam de mim, me integram à ti. Às vezes lembro do dia em que o cometa se desfez em nossas faces, você estava linda, e como sempre me desintegrou.
    Seu jeito manhoso, rígido, sem falhas, sem mandamentos, sem descrições, sem complexidade, sem flores, sem seca, sem rios, sem desertos, sem singelos, sem fragmentos, me fez descobrir quem é você que quase sempre me surpreende com a nova versão de quem és.
    Aquele jardim ainda me chama, foi lá que tudo começou, seus abraços com medo, meu olhar confuso, nosso beijo embaralhado, nossa valsa de amor, nosso medo do horário e seu jeito indefinido, que sempre me levava a querer te descrever.
    Meu sonhar é junto de ti, sabes bem, que todos os meus versos só tem sentido quando é para ti, que meu escudo são teus braços, meu castelo é nosso amor e minha vida é teu ar. Quantas vezes já me despi da razão para dar lugar ao teu pensar, quantas vezes já chovi em travesseiros para não te perder, quantas, quantas vezes não importa, sei que a maior valia é você ao meu lado, me desconstruindo e me refazendo.    
    Saiba que agora tudo o que está escrito não terá sentido após o aperto dos seus abraços, do calor do seus olhos, e da graça do seus beijos.

De mim que sou amor, para ti: minha eterna amada.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Reprise


    Vejo a imagem de um reprise, você está lá, e eu longe. Poucos momentos marcaram aqueles dias, pensei ser "o cara" e você não olhava para mim. 
    Barracas montadas, frio, cobertas, fogueira, histórias de terror e ele do seu lado, aquilo me apunhalava, eu sorria como se ele fosse meu melhor amigo, você também sorria e isso me fazia esquecer de tudo. Noite estrelada, brisa fria, vozes e violão, eu ainda te olho, você canta, ele te abraça, aqueles momentos pareciam intermináveis, mas, nunca pensei em desistir de você. 
    Foi-se as canções e a noite juntamente com a fogueira, o único fogo que ainda esquentava meu corpo era pensar em você, que distante me olhava. Naquele mesmo dia encontramos um rio, entramos todos, nos banhamos, e saímos, você se embrulhou em minha toalha, e eu a deixei, você estava sozinha, mas, eu não sabia o porque, então, você me chamou, naquele momento senti meu coração bater como um terremoto dentro de mim, você me olhou e disse: 
    "Não entendo como pode o amor se acabar!" Seu namorado fugira, eu não sabia, fiquei sem reação para responder, apenas olhei nos teus olhos, e aquilo foi o bastante para que você entendesse o que eu responderia, mas, insisti em palavras e disse: 
    "Talvez, o amor não o seja, ninguém se torna dono desse sentimento, como saber que ama, ou que não ama?" Você olhou para mim, sorriu, e me deu atenção, naquele momento todas as confusões poéticas escritas começavam a fazer sentido, o amor em que emanava do meu coração começava a ter valor, e minha persistência em ti querer se tornava resultado. 
    Peguei em tuas mãos e dei um beijo macio, sem malícia, você não entendeu, eu te disse: 
    "O amor que sinto não se finda ao longo dessa pequena palavra, se transforma em meus versos e ganham sentido nos seus olhos." Você me olhou confusa e disse: 
   "Se me ama em versos, porque só hoje tem poetizado minha vida?" E eu perdido em minhas palavras respondi : 
    "Não sabia se meus versos teriam valor perto de todo esse sentimento." Então, sobrou-nos o silêncio, o meu e o teu, mas, os nossos olhos e o nossos corpos dançavam a canção do amor, que até hoje me faz lembrar de um acampamento, em que meus versos se fizeram carne.

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Dois confusos

    
    Passos contados, caminhávamos enquanto eu desvendava seu olhar, você segurava-me a mão e eu pensava: será que me ama? 
    A neblina cobria o céu, antes estava azul, agora derrama suas lágrimas. Corremos, parecíamos dois meninos a brincar na chuva, você não soltava minha mão, eu insistia em reflexionar essa incompreensão amorosa. Nos abrigamos em baixo de uma árvore, o cheiro da terra molhada marcava o momento, sua mão fria segurava a minha, seus olhos negros olhavam os meus, eu não a entendia, mas você insistia em falar de novelas, religião, música, eu não queria ouvir essas palavras, você não sabia o que eu queria.
    Passamos ali um longo momento e você apertava  minha mão mais forte a cada segundo, mas, eu não entendia o porque. No momento em que a chuva gritava e ressoava sua fúria, você temeu, me abraçou e perguntou: me protege? 
    Levei então minhas mãos pesadas de tanto questionar a um abraço que acolhia o segredo que habitava em meu coração, meus lábios se tocavam, mas, som fonético não existia.
    Ao olhar para mim você disse: porque bate forte o teu coração? 
    Minhas palavras doentes desse vírus interminável responderam: Bate rápido porque sente a presença de alguém que ama, parará de bater se essa partir. 
    Foram longos anos, queria dizer isso, mas, nossa amizade era maior, ou será que não? 
Então ela olhou nos meus olhos e disse: Sabia desse seu sentimento em todos os nossos anos de amizade, mas, o amor nos confunde e o maior medo que eu tinha era de te perder, pois, sentia o mesmo.
    Então me deu um abraço forte, um beijo e disse: Quero ter sempre você, amigo! 
    Essas palavras não me derrubaram, por incrível que pareça, me fortaleceram, e eu disse: Nos vemos amanhã? 
    E assim consolidou-se nossa amizade que durará ao som de longas e insondáveis palavras de amor.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Mãos dela




    Ele se pendura, os dedos escorregam e o suor desce o rosto amargando o gosto da sede, o sol aquece a dor, mas, o frio é incessante. 
    Usa toda a força e não sabe se aguentará mais, apenas uma barra de ferro e um muro de concreto o separa dessa vida, suas mãos agarram com força a barra como se fosse a última oportunidade. 
    Cada suspiro parece ser o último, mas, o coração grita a vida, os pés pulam as dores, o corpo samba a esperança. 
    De repente mãos sem maculas agarram as dele, que apertam, puxam, salvam, não sabia quem puxava-o, pois o medo o deixara cego. As tais mãos trazia-o que beber, e o gosto já não era amargo, o sol queimava, e o frio? 
    Quando tornou-se lúcido novamente, pode ver o rosto em que emprestava as mãos, era  o rosto de sua amada, mas, o medo era tão grande que não reconhecia o toque, vendo-a e não suportando os sentimentos deu a ela um abraço e uma nova história, dele que já no fim voltou, com a força dessa palavra que tudo reconstitui.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Armadura


    Derrubaram meu castelo, minhas tropas partiram juntamente com o meu coração. 
    Meu palácio foi ao chão, assim como minhas palavras, roubaram o que era meu, me tiraram o sorriso, as muralhas que cercavam as torres da alma caíram, furtaram o meu amor.
    Desprezo, isto me fizeram. 
    Bateram em meu rosto, tiraram me a armadura, jogaram-me com o rosto em pó. Força, onde à encontrarei? 
    Estou me arrastando a procura de um ombro, não o qual me traiu e me entregou aos meus inimigos, nesse não me apoiarei mais. Já encontrei novas forças em meio a dor. 
    Na tristeza ergui um novo castelo, com uma nova torre, agora mais forte e mais frágil. 
    Minhas palavras se recompõem, assim como meu amor, em tropas não mais confiarei, revesti-me de uma nova armadura, com uma nova espada, com um novo escudo. 
    Meu sorrir volta, mesmo que as vezes torto, mas na face do traído volta a esperança de um dia reerguer um novo Palácio.

Das forças renovadas.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Calafrios


Amor,
em que ilusão estamos? 
    Os dias estão passando e apesar dessa fogueira, ainda sinto calafrios. O calor do meu corpo não é o mesmo, onde está? 
    A sintonia do rádio mudou, as paredes do meu quarto estão verde, mas, a esperança acaba. 
    Quando irá voltar? Espero ansioso sua volta, mesmo sabendo que se foi. Sabe o coração, ele está batendo com menos pulso, as vezes ele para procurando o batido do seu. Será que você volta? Ou será que não me ama mais? 
    Amor, já faz tempo que está longe, até demais. 
    Às vezes pergunto-me amada minha, ainda fará sentido meus versos? Você não os ouve mais, agora sei que as ilusões são somente minhas. 
    As fotos se foram com a tua presença, o calor se apagou, a sintonia do rádio parou, as paredes estão escuras. 
    Amor, se ler o que escrevo, volte, não deixe que o fogo consuma o papel, consumindo o que restou de nós. 
Das confusões de um amor platônico.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Paradoxais



    Para ela, mesmo que não se achegue.

    As vezes te encontro, e sinto algo que não sinto comigo. Sei que este sentimento transparece em minhas lágrimas, que de serem tão minhas não me pertencem mais. 
    De tudo que me roubaram me restou sua voz, que entra em meu consciente e me refaz inteiro.
    Lembra dos fracos? Eles estão mais fortes agora, sei que você esteve entre eles, mas de que importa isso. 
    Eu disse que éramos perfeitos, mesmo cheios de defeitos e ainda somos. O amor nos faz paradoxais porque nós dois somos iguais. 
    Antes que partisse pedi que me abraçasse, me fazendo sentir teu e me fazendo sentir meu. Talvez isso fosse suficiente para que possássemos recomeçar esses nossos dias. 
    Estou fraco, porque você não está comigo, não me deixe aqui, antes que acabe tudo, me abrace.

domingo, 29 de maio de 2011

Caminhão de Lata


Acordei da noite encantada,
há tempos não sou mais menino,
minhas mãos estão cansadas
como o bater do velho sino.

Rodas de borracha,
estrutura de metal,
assim brincava,
nas vésperas de natal.

Mas, acordei do belo sonho,
do conto de fadas,
da noite de sono,
da guerra da espada.

Minha idade me envelhece,
a luta dos dias prolongados,
as horas de preces,
os sonhos apagados.

Foi-se o natal, todos os presentes,
as lembranças do meu caminhão,
das pessoas que hoje ausentes,
ainda movem meu coração. 

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Corda que Samba

2º lugar na 40º Edição Poemas do Bloínquês


Na corda bamba, tem um que samba, tem um que canta, outro encanta.
Na corda bamba, tem diferentes, tem muitas lentes, variadas mentes.

Na corda bamba, tem varias cores, muitos sabores, muitos amores.
Na corda bamba, tudo tem valor, da mínima musica do pobre cantor.

Na corda bamba, se tem respeito, tem admiração, tem desrespeito.
Na corda bamba, faça o que for, seja autêntico, sem perder o valor.

Na corda bamba, há muitas cordas e muitos acordes.
Na corda bamba, escreva uma canção que nos acorde,
para sabermos que na corda bamba, tudo tem valor.

A Janela


Janela, rosto dela, sorri. 
Casa, castelo real, fugi.
Estrada longa, pequena parcela
para se achar a janela.

Belezas exteriores, encontrei.
rostos e cores, achei.
lutas de espada, enfrentei,
mas em frente a janela, não cheguei.

Corri, pernas, cavalos.
Voei, corpo e braços.
avistei, casas e bosques,
estou longe da janela, distante dos seus toques.

Com sorriso, alma, espírito,
procuro incessantemente,
o rosto que em baixo da janela.
sorri, dominando minha mente.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Tom do Amor


Papel, Papel, conte-me seus sofrimentos,
e o que está escrito sobre seus sentimentos,
Papel, Papel, faça-me esquecer sua cor,
e mergulhar nos tons do seu amor,

Papel, Papel, fala-me de momentos amorosos
do lápis, a caneta e o esboço
da régua, dos versos e do poema
inodoros ou com perfume de alfazema

Papel, Papel, vamos fugir do padrão,
seguir as linhas do coração,
despertar velhas paixões,
e escrever lindas canções.

Papel, Papel, vamos ser você e eu,
como a terra e o céu,
serei seu e você será minha,
uma escrita sem fim em uma infinita linha

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Voz Dizente

Ouço a voz, ela me chama baixinho, como um sussurro.
Já há algum tempo sou surdo, mas, a voz persistente, me chama, agora em tom suave.
 Pensava estar fora de si e a voz me chamava, mais forte agora, minha surdez desaparecia.
A voz agora grita e seu grito escorre entre as curvas da minha orelha, dizia a voz em tom alto e romântico: Te amo.
Eu não à amava, por isso não à ouvia, mas, agora seus dizeres me entorpecia, já não estava mais sóbrio, quando a percebi eu à amava e a voz já cansada de falar calava-se.
Então pedi para estarmos juntos, eu à seus dizeres e a voz à meus prazeres.
Nossas conversas então começavam como sussurros, logo após, tom suave, então, mais forte, e depois em gritos, e neles nós vivíamos e amávamos e a paixão era dizente.


Também postado no blog: www.vinteeduasletras.blogspot.com

terça-feira, 10 de maio de 2011

Vida e Fim


    Caminho tranquilamente enquanto estou vivo, a luz em cada poste ilumina meu caminho, espero que meu dias sejam normais.
    A minha face ainda sorri, meus medos já não existem e os postes ainda iluminam meu caminho. Ando e sinto vida, espero que meus dias não mudem, vejo as flores no jardim que respiram o seu próprio perfume, admiram sua própria beleza e eu passo, vejo-as e ainda estou vivo.
    Não quero perder o que tenho, não me tire o que tenho, agora enquanto estou caindo dores atravessam meu ser, com pisadas destroem as flores que haviam em mim, me apunhalam facas e ainda estou vivo.
    Levanto e tonto vejo o jardim e as flores que choram minha dor, ainda estou vivo, não sei até quando viverei, meu corpo fraco cai e o meu eu falece. 
    Agora sou morte e não há nada que o possa mudar, as flores que haviam em mim murcharam, acabou o que era vida.

sábado, 7 de maio de 2011

Minha Confusa Madrugada



Alta madrugada, repenso o que fiz enquanto na esquina o violão canta liberdade. 
Meus conceitos são propósitos sem definições. 
Cada minuto, segundo e milésimo me fazem repensar, mas o que fiz?
O violão da esquina já não se ouve mais, meus conceitos ainda são propósitos sem definições. 
Porque fiz não quer dizer que eu tenha me superado em errar e não quer dizer que eu tenha acertado.
Já amanhece o dia, o que fiz ainda é vago, mas insisto em repensar. 
O sol escondido entre as serras que cortam a paisagem me mostra o que fiz e o que não deixarei de fazer. 
Sonhar foi o que fiz, mas peço que alguém me acorde, porque as vezes acordar de um sonho é a chance de começar um novo.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Músico


    Penso, escrevo e faço algo. 
    Entre as linhas em negrito, letras como a de um alfabeto formam frases e versos. 
    A inspiração me canta seus acordes, que são lúcidos diante do que escrevo.
    Cada frase escrita, me define, me expõe e me contradiz, hora insisto em loucura, outrora em Deus e quando sinto-me sozinho, insisto em solidão.
    A natureza me canta sua melodia natural  e começo a devanear sobre um futuro ou um passado que não é o meu.
    Escrevendo sóbrio ou louco, minha historia ou de outrem, acabo me tornando cada vez mais humano e imortal.

domingo, 1 de maio de 2011

Voz e Silêncio


    Ouvir vozes já não faz sentido. 
    Gritos e sussurros são meros acasos que apontam e denotam o que há de vir. 
    Pensava estar feliz, como se isso fosse limitado a poemas ou canções. 
    Não se tratava de um coração em cacos, mas de um coração que ao ouvir vozes em romantismo já não suspirava mais. 
    Como posso erguer então um grito se estou e permaneço em extremo silêncio, minha voz rouca e pálida me afasta de você, que por pouco tempo esteve perto de mim. 
    Não me ajude a refletir, hoje preciso de você, mas não tão junto a mim. 
    O tempo será nosso juiz, ele decidira e nós esperaremos como as folhas esperam o outono para tocar o chão e em ritmo de valsa, dançarem e serem felizes ou se afastarem e se perderem para sempre.

Esse eu dedico ao blog "O Silêncio de um grito"

Ego



    Ontem, fotos, passos e suspiros, dias que foram, nossas vidas eram como cristais. 
    O som do canto que escoava em meus ouvidos me fazia homem, menino. 
    Aquela voz, doce e suave, que trazia inspiração em meus versos, se foi. Tento acalmar meu coração, triste e cheio de amor. Sua partida em dias quentes trouxe resfriamento ao meu corpo, que dorme, esperando um novo.

    Hoje, porta retrato, ponto morto e pensamentos, dias que vem, minha vida é gás. 
    Ouvir novos cantos me traz a memória de um passado esquecido, os dias frios esquentam meu corpo.
    Manso e cuidadoso, procuro não me entregar, não ceder, mas, quando escondo-me entre as paredes do meu ego, te encontro e refaço todo esse sonho, onde cedo, tarde, ou até de madrugada preencho nosso porta retrato com as novas fotos de um novo amor.